segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Torturas Urbanas

ouvindo "sabotage" do Beastie Boys

https://www.youtube.com/watch?v=__zoCMZVN9w


Não sei se o mundo para que eu fui educada ainda existe ou se algum dia existiu?

Sob o som repetitivo do alarme de segurança do vizinho, disparado desde a meia noite de ontem - noite de domingo após um fim de semana inteiro de trabalho - conjecturo por longas horas de agonia na madrugada, no raiar do dia e agora na alta manhã.

Todas as certezas se perdem com o passar do tempo, concordam o guru, o filósofo e o xamã.

Todos em algum momento da vida tem razão, ilumina o sábio dos sábios.

Mas sob uma mesma condição - a de tortura - repetidamente por horas e horas, os prisioneiros confessam até o que não fizeram, contam os historiadores e os sobreviventes dos tempos terríveis.

De fato e nesta condição concordo absolutamente a vontade é de mandar a razão, a sensibilidade e a reflexão às favas e fazer o indescritível!

A brutalização respondida com brutalização!

Até onde o meu conforto e as minha necessidades podem ser chamados de meus e serem vividos em harmonia sem afetar as outras pessoas?

Até onde a minha prosperidade e riqueza pode se fazer sobre o sofrer dos outros?

Na mente capitalista urbana a resposta é automática, ad eternum!

Temos todas estas necessidades, certamente e temos o direito de lutar por elas. Mas como seguir lutando ao saber que nosso conforto, nossas necessidades e prazeres estão afetando e fazendo outras pessoas sofrerem?

"Construa um muro se incomoda a senhora!" - ouço do agressor.

Vejo minha irmãzinha autista com ataque de estresse a se machucar completamente surtada dos nervos com o barulho insistente e me deixo levar pelo desespero de ver que, além de mim, tem mais alguém sofrendo e bem mais do que eu e praguejo.

E tento reagir.

E ligo para os vizinhos que mentem que não escutam.

Que dizem "fazer o quê?"!

E sigo na minha fúria silenciosa contra o barulho de um dispositivo eletrônico que se eu pudesse esmagaria com o poder da minha mente.

Pois é esta a maior das vontades, agir com brutalidade contra a brutalidade que me é imputada.

E dizer ao algoz com a mesma ironia com que ele se dirigiu a mim quando reclamei de seus excessos!

"Construa um escudo deflector mental, porque a tortura que será desencadeada sobre você muro de concreto algum deterá!"

Cada um luta com as armas que tem...

Ou caquécoisaassim





segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Segunda feira com chuva

Os dias de chuva são deliciosos para quem sabe apreciá-los.

É como se uma promessa gelada fosse feita dentro do peito e tudo se enche de alegria!

Os suspiros são longos e queimam dentro do corpo com o ardor de mil possibilidades!

Exceto se for obrigatório ter que sair de casa é claro!

Galochas, guarda chuva colorido e meias grossas podem animar quem sai. Talvez nem isso...

Mas uma caneca de chocolate quente e uma boa literatura em uma poltrona confortável perto da janela parecem ser uma visão mais sedutora.

Em todos os casos nada melhor que a companhia de si mesmo.

Viver só é uma arte. Estar só um exercício.

Mesmo no caminhar firme pelas ruas encharcadas, estalando os saltos dos sapatos e praguejando disfarçadamente o vento gélido nas faces, é possível viver dignamente uma segunda feira fria e chuvosa de uma primavera que não veio.

Parar para contemplar o jardim molhado de uma janela enquanto a chuva cai implacavelmente e depois voltar a leitura.

Dedicar-se intensamente a uma ação repetitiva dizendo a si mesmo: "...vou aproveitar que não posso sair e terminar isso agora mesmo!", mas secretamente planejar uma saída rápida até a padaria para comprar tudo o que for necessário para um lanche da tarde bem saboroso.

Para quem pode, marcar um filminho com a amiga e um baldão de pipoca.

Para quem não pode, cumprir as obrigações mas não deixar passar a chance de um capuccino quente com os companheiros de batalha na primeira hora em que for possível!

Enfim, tirar do dia o melhor!

Tirar de si o melhor!

Buscar em si mesmo a chave para reverter a energia do dia transformando tédio em alegria o que pode parecer uma missão impossível... Mas que - com a pergunta certa feita a si mesmo - pode se tornar uma tarefa mágica concluída instantaneamente!

"O que eu gostaria para mim em uma segunda feira de chuva?"

Se feita com sinceridade, a resposta pode ser mais simples do que se imagina!

Ou caquécoisa assim!


sexta-feira, 1 de julho de 2016

O Transe do Ônibus

ouvindo "Trying To Throw Your Arms Around the World" da banda irlandesa U2


https://www.youtube.com/watch?v=n2dL-DjAkek


Eu - como usuária de transporte coletivo desde os dez anos de idade - posso afirmar! Dá pra contar umas histórias! A face das pessoas enquanto viajam é uma das minhas fontes de informação favoritas.! O intelectual, a gatinha, a senhorinha, os namorados! Muito pitoresco!

Todos tentando convencer de que não estão se importando com o chacolhar de seus ossos!

Todos tentando convencer de que não estão com pressa, nem incomodados com o preço, a sujeira, o aperto, o gordo que passa arrastando braços e bundas, a sem noção que quer passar com mochila e tudo!

O motorista imprudente, o cobrador dormindo!

Mil histórias!

Uma das histórias que gostaria de destacar neste post é o transe do ônibus!

Quantas ideias fantásticas já tive em duas horas de condução de Osasco até a  avenida Nove de Julho, esquina com a São Gabriel? Duas conduções o ônibus linhas São Paulo Lapa e depois o Praça da Bandeira! Uma verdadeira viagem!

Ou então a caminho da avenida Paulista nos mais de 5 empregos e trabalhos que tive por lá! Os afamados ônibus linhas Vila Yara e Lago da Pólvora!

Ideias de como enfrentar meus chefes nos problemas do trabalho, seminários inteiros para as faculdades, shows para a minha banda de rock, revisão de aulas inteiras para os meus adorados aluninhos do vestibular!

Quantas vezes me vi olhada por todos porque saiu alguma coisa do transe em voz alta!

kkkkkkkkkkkkkk

E você? Qual é o seu transe?

Já parou para pensar?

Resposta:

"Não! Eu penso andando mesmo!"

Bons transes para todos!




domingo, 12 de junho de 2016

Dia de Fugir Desesperadamente

Ouvindo "Future People" do Alabama Shakes

https://www.youtube.com/watch?v=iraraKH0_Tk

Dia de se esconder!

Lendo um livro mais "cabeça", publicando posts científicos nas redes sociais e fotos de paisagem nas redes sociais fotográficas.

Uma esnobada em algum amigo carente aqui.

Outra ignorada em uma súplica ali.

E vamos seguindo!

Afinal dia dos namorados é uma data comercial!

E daí que vez em quando eu olho o celular a espera daquela chamada! Daquele bom dia! Daquele oi que eu estou esperando e não acontece!

Vai ver que arrumou a namorada dos sonhos dele ué! E não sou eu - obviamente!

Tá certo! Hoje é o dia de achar a pessoa certa! Naturalmente, todas as pessoas erradas nem vão dar as caras! E o medo de pagar mico? Orango Tango no caso! Ficar de súplica por um namorado nos 45 minutos do segundo tempo... O primeiro tempo foi ontem - a véspera!

Vou fazer uma caneca de chocolate quente bem forte e rebater toda a carência do mundo! A minha dieta é que vai ver só! Hahahahahhh! Hoje eu posso tudo! Já que os prazeres que eu quero eu não vou conseguir mesmo! Então vou atrás de outros prazeres! Os prazeres que eu mesma posso me dar!

Nada de esperar de alguém! De ninguém! Todo mundo vai fingir que não precisa, mas precisa! Todo mundo vai negar mais a verdade é uma só! Como queríamos que alguém especial aparecesse hoje pra não passarmos este dia sós!

Nem todos claro!

Tem os que negam tão convincentemente que convencem a si mesmos! A chave da psicose, dizem!

Amanhã já espero as palhaçadas de camarote!

Não deu, estava ocupado, morreu não sei quem, tive problema com o aplicativo tal!

Tudo pra não dizer!

"Não te procurei nesse dia para não parecer um desesperado!"

"Não queria te passar que quero ser seu namorado porque não quero ser seu namorado!"

"Não quero passar a ideia errada!"

Tudo começando por não!

Então eu começo por:

"Não quero nem ouvir!"

Que tal?

Depois reclamamos o quanto estamos sós!

Mas negamos chances de ouro como hoje de nos aproximar de quem realmente interessa sem medo de viver uma grande amizade ou um grande amor!

Esse é o resultado de nossa tragédia!

Queremos o tornado e não ventos fortes!

Queremos a morte de quem tem preferências sexuais que nos incomodam e não ter que aprender a coexistir com as diferenças!

Queremos impeachment para colocar outros chefes de estado insatisfatórios e não rever nossos erros com nossas escolhas anteriores!

Queremos uma solução instantânea com dia e hora marcada!

Somos a geração futura dos eternos desagradados!

Nada está bom nunca! Porque o mais agradável mesmo é reclamar!

E sempre reclamar!

Viver é muito complicado!

Sentar na frente de uma tela e covardemente se queixar do quanto o mundo não nos serve como queríamos é mais simples, fácil e barato!

E... CaQuéCoisaAssim!


sexta-feira, 15 de abril de 2016

Quando a pressa é uma grande oportunidade para a perfeição!

. . . ouvindo "15 Step" do Radiohead!

Naqueles raros dias em que tudo deu certo, funcionou como o planejado, finalmente você emagreceu o suficiente para a roupa que preparou na véspera e as peças entraram, deslizaram!

Estava tudo a mão sem erros, lanches, almoço, material de trabalho, material de estudo e víveres para a mente e o corpo em mais um dia de trabalho de mais de 12 horas!

E você sai deslizando pela rua certa de que está até adiantada em seu horário de deslocamento até o local de trabalho, por hoje, fora de casa! Um imperceptível sorriso se pendura em sua face e um olhar sapeca brilha tanto que até incomoda as pessoas na rua! Chegará cedo, poderá falar daqueles assuntos que tanto queria com seu sempre atencioso chefe, poderá conversar mais um pouco com o pessoal fixo do trabalho, os que estão lá todos os dias e são colegas de trabalho muito importantes, essenciais pois veem tudo, sabem de tudo, observam tudo e que - muitas vezes por chegar em cima da hora - você fica mal por não ter dado o devido "bom dia!" com todo o carinho e atenção que eles tanto merecem!

Nesses dias em que tudo aparenta tamanha positividade, intimamente, você celebra: "Vou poder abraçar a todos! Dar atenção a todos! Poder saber um pouco deles e eles de mim fora do mundo profissional!"!

E segue feliz pela rua até o ponto de ônibus! Mais uma usuária do caríssimo transporte público da Grande São Paulo (um dos mais caros do mundo)! Mas não importa! Hoje é um dia em que tudo está dando sinais de que será super master blaster legal!

E até o ônibus se contamina de tão boa que é a energia! Segue pelas ruas feito um tiro! Pega todos os semáforos verdes! Mal você percebe e já está na hora de descer. Prepara-se, o ônibus vai se ajeitando para entrar na fila da próxima parada e então...

Você sente! Direto na panturrilha!

Aquela pancada!

Uma sacola cheia com alguma coisa pesada!

"Mas já paramos!" você pensa: "Não é inércia de reflexo do freio do ônibus...", mas o dia se ergue tão lindo, róseo e dourado com o amanhecer de outono que você sentencia "Deve ter sido sem querer e - na euforia silenciosa - não ouvi a pessoa pedir desculpas."! O ônibus vai se ajeitando lenta e delicadamente! Um verdadeiro milagre quando comparado a carroça e os trancos que dá nos "dias ruins"!

Outra pancada na panturrilha seguida de outras menores no braço e nas costas!

O sorriso desaparece e expiro ar quente! A mente ferve e o corpo queima assim como a mente já entrando em fúria: "Pra quê fazer isso? Ficar em cima do outro assim?! O ônibus ainda vai encostar na parada!"!

E o ônibus segue seu lento processo de encaixe na rua estreita, manobrando delicadamente para constituir parte da verdadeira serpente formada por outros que, como ele, apenas esperam a hora de chegar ao ponto certo de desembarque na parada.

Porque é assim as coisas são! Nem antes, nem depois! Faz parte da ordem no trânsito, na vida, na harmonia do Cosmo!

Exceto para a pessoa que está atrás de você, que continua com suas pancadinhas, batendo sua sacola e bolsas em você pouco se importando se incomoda ou dói. Insiste como se isso acelerasse o ônibus em sua manobra e em seu procedimento de desembarque ou fizesse você e as pessoas que estão a sua frente no sentindo da porta de desembarque desaparecerem no ar!

Mais pancadas! Você se prepara! Olha para trás por cima do ombro com os olhos espremidos e reconhece a face do "dia ruim"! Um olhar duro, opaco, feio, uma figura que até perde a feminilidade com os lábios apertados de tanta raiva por você, as pessoas a sua frente, a porta do ônibus, o próprio ônibus, o motorista, o trânsito, a rua, o mundo existirem!

"A PORTA AINDA NÃO ABRIU MOÇA! ME EMPURRAR NÃO VAI FAZER A PORTA ABRIR!" a voz sai da minha boca feito um trovão! Lá se vai o meu dia bom!

Ela nada diz, bate com a sacola novamente quando a porta se abre. Deixo as senhoras passarem a minha frente e todos os que igualmente tem pressa como de costume e também de propósito! Claro!

E como prêmio - a oportunidade perfeita - levo uma pancadona nas costas enquanto desço escadas.

Paro e olho para trás antes de terminar de descer:

"QUANTOS SEGUNDOS DO SEU DIA VOCÊ PERDEU BATENDO ASSIM EM QUEM NÃO TEM NADA A VER COM O FATO DE VOCÊ SER DESORGANIZADA E ESTAR ATRASADA MOÇA?!"

Ela só olha mais feio ainda - e era possível ficar ainda mais feia!

Prossegui em minha sentença sumariamente:

"...QUE SEU DIA DEVOLVA A VOCÊ TODA A PACIÊNCIA QUE TEVE POR NÃO ACEITAR QUE A PESSOA EQUIVOCADA AQUI É VOCÊ!"

E pronto! Ela se foi feito uma animal solto de uma jaula, quase correndo não fossem a sacola cheia e as bolsas. Fiquei parada balançando a cabeça em uma estranhamento e ao mesmo tempo alívio por colocar pra fora o que tanto me incomodava com aquelas pancadas.

Seguindo meu caminho até o trabalho, a pé, sem pressa, olho para o céu entre os prédios do centro da cidade e vejo o sol se erguer finalmente do Domo de Poluição que cobre a cidade e me lembro, que não importa o quão cinzentas as pessoas possam se esforçar para perturbar sua manhã: O Sol sempre sai de trás da capa de poeira e fuligem deixados pela irresponsabilidade de nossa espécie com o seu entorno e brilha, aquece e reina soberano! Sempre!

Portanto boas roupas deslizantes, manhãs boas, sacoladas, oportunidades perfeitas para se dizer o que pensa, dias bons e dias ruins para todos! Só não batam nas pessoas, ok? O mundo não é uma automóvel e mesmo no automóvel, acelerar não faz o trânsito ir mais depressa só porque você quer ou precisa!

Organize-se! Deixe tudo pronto! Acorde mais cedo! Faça do seu dia um prazer já na véspera!

Sei que é fácil falar!

Mas se não está a fim não desconte no outro que está!

Ou caquécoisa assim!

Bom dia!

domingo, 5 de maio de 2013

Os dedos dedilham a taça... A grande taça dos vencedores i

Ouvindo "DNA" do The Killers

A determinação que nos move no início de um combate é inominável! Aquela adrenalina que sobe por cada anel da espinha dorsal lançando jatos de adrenalina por braços e pernas e pelos olhos marejados é deliciosa de fato!

A voz que nos impulsiona, interna ou externa, pouco importa! É Ela! Aquela voz maravilhosa que ativa a máquina de projeção dentro de nossas caixas cranianas lançando todos os nossos sonhos, nossas alegrias, nossos desejos mais recônditos, nossas aspirações mais absurdas e absolutas diretamente na tela do futuro que ansiamos!

Ahhhhh e que banhos de toxinas invadem nosso corpo nesses momentos!

E como tudo parece tão possível!

Tão próximo!

Tão ao alcance dos dedos que dedilham a taça! A grande taça dos conquistadores!

E realmente é possível, pode-se sentir a certeza na profundidade da mente e do corpo. Já me vi lá! Vitoriosa! E fui! Fui vitoriosa!

Mas demorou um pouco mais para entender que não basta saber e fazer. Há um caminho enorme de preparação, onde todos os demônios que carregamos conosco - nossos medos como bem escreveram os gregos - vão nos apavorar e nos fazer perder todos os calores, as químicas e as certezas.

Vamos perder a confiança em nós mesmos, no caminho e nos que estão conosco. Vamos nos perder na mata na qual entramos com tanto ímpeto a gritar com o fogo de nossas tochas.

E quando tudo vai caindo em um silêncio longo e frio e as tochas começam a se apagar é preciso ser firme e forte para seguir em frente. Ter fogo fátuo interior. Erguer a cabeça, endireitar a coluna e seguir os instintos! Seguir pisando firme, desembainhar a espada ou colocar a faca nos dentes se for o caso.

E é óbvio que não seria aquela euforia sempre! É óbvio que não poderia ser ou então tudo seria um magnífico hospício! Claro que as primeiras falhas, equívocos e perdas viriam. Claro que os primeiros imbróglios seriam desanimadores. A investigação e a descoberta do quanto sua origem é estúpida seria nauseante.

Mas terá que ser feito certo? Terá que ser feito ou então os passos não serão firmes pelo caminho, não haverá avanços, as frustrações se acumularam e daí para a tristeza e o abandono... O salto é rápido e fácil!

Temos que lutar todos os dias! Contra aquela pequena mania ridícula que sempre incorre no mesmo erro, com aquela procrastinação de alguns minutos que vai nos custar semanas de retrabalho...

Mas... Quando lutamos contra tudo isto! Com todos os nossos músculos e ossos e fibras e eletricidade neural! Quando nos erguemos com a lança em riste e desfalecemos ao ver que as tais aparentes falhas, equívocos e perdas não são aparentes quanto pareciam e sim parte de uma legítima superficialidade cujas consequências vão direto ao encontro de tudo o que acreditamos em total e absoluta traição a tudo o que nos empenhamos...

A taça dos vencedores roda ao toque de nossos dedos... Na ilusão de que ela virá... Mas o abismo entre a mente, o corpo e o braço é grande e morrer em campo de batalha por um ideal maior sim! É a maior das escolhas !!!

Morrer na praia dos idiotas... NÃO!

Nem CaQuéCoisa assim!




sexta-feira, 26 de abril de 2013

Monumental Failure


ouvindo "I grieve" do Peter Gabriel

Alta madrugada de outono contemplando meu jardim de prata sob a face da lua quase cheia... Percebo que ainda estou longe de entender que o que acontece é apenas uma das faces de uma verdade cruel que ainda não se revelou completamente e que muita dor ainda está por vir. Como sempre faço, vou pra máquina, antigamente de escrever e agora de digitar e sua luz branca fere meus olhos doentes, mas como não há muitas alternativas que doam menos... Que seja então!

Este vai para todos os iludidos e suas construções monumentais que se tornam em quedas espetaculares diante de seus olhos dilatados pelo choque tardio. Esta vai para todos os que conhecem o fracasso monumental quando somos negados, dispensados, abandonados, descartados feito coisa que se tornou inútil quando se acreditava realmente parte de algo importante...

É dedicado a todos os que já desfaleceram, que sentiram que não há mais ar nos pulmões, nem sangue nos lábios, nem eletricidade nos músculos, nem nos ossos...  Uma homenagem a todos os que passaram por aquele dado momento em que se percebe que a onda é maior do que o fôlego aguentaria, que o caminhão está mais veloz do que a velocidade de escape permitiria, que a porta se abriu na hora errada e a queda é inevitável. É dedicado a este momento da perda de todo e qualquer controle ou ilusão de controle.

Quem já passou por este momento singular sabe que se trata de uma mera fração de segundo, aquele contado antes da parada cardíaca no ponto de ônibus, antes da perda da consciência na ambulância, antes da convulsão no sofá da sala de espera,  antes da queda do corpo no chão da rua como um saco de batatas.

A glândula pineal lança um jato de adrenalina que faz adormecer a língua e formigar o couro cabeludo, as pupilas dilatam e o ar não entra pela boca seca mesmo boquiaberta na forma de um grito que não sai!

O grito não sai!

O corpo quer se reerguer, quer se levantar, mas a mente não está mais no comando... Somente a falência. A falência total e absoluta subindo feito gelo glacial pelas pernas e braços.

As faces das pessoas se agitam, no escuro da rua, na clareza do hospital, na face lívida dos parentes e amigos... Na face dos incrédulos e suas análises torpes de psicologia de almanaque...

E todo o som que se ouve é o da mente perguntando: por que não consigo me mexer?

A face do fracasso monumental paira logo ali sobre todos incólume! E questiona:

"Tem certeza de que você não foi capaz de evitar isto?"

A cobrança é profunda, toda a sua vida até ali e todos os sinais dados passam por sua mente em segundos. Você vê todas as chances! Tudo o que poderia ter dito! Tudo o que poderia ter feito! Todas as oportunidades para evitar... Mas não o fez! Não fez porque acreditou! Não fez porque comprou a briga achando que valia toda aquela pena e todo aquele fardo! Não quis abandonar, nem desistir e agora é tarde. Você não interessa mais. Foi perversamente descartada! Não há mais como voltar atrás de nada! O corpo cobra de forma sumária e o comando não é mais seu.

O arrependimento ajuda a matar mais um pouquinho e a morte faz mais um convite.

E você começa a suplicar por uma chance. Afinal assim como houve a primeira, a segunda tem que ser certa! Faz promessas desesperadas para si mesmo e para todos os presentes, deste e de outros mundos.

E após uma agonizante pausa tudo se cala e recua.

Aos poucos a volta para mais uma oportunidade de descartar as escolhas ruins e fazer as escolhas certas vai emergindo entre doses maciças de calmantes, antidepressivos e reguladores de pressão arterial...

E você pacientemente espera pela volta do governo de sua saúde, de seu corpo, de sua mente... Pacientemente espera pela chance de tentar outra vez. Quem sabe escolher melhor... Quem sabe não repetir os mesmos erros... Quem sabe ser parte de algo importante que te considere igualmente importante e pelo qual vale a pena lutar novamente.

Ou CaQuéCoisa assim.